O combate da autenticidade exige também o combate da disponibilidade

O combate da autenticidade exige também o combate da disponibilidade

  1. A confiança, habitat da felicidade, vai de mão dada com a autenticidade, mas resistirá muito tempo a nossa autenticidade quando não nos sentimos respeitados? Duvido. Por isso, o combate da autenticidade exige também o combate da disponibilidade, que acolhe respeitosamente quem connosco se relaciona.
  2. Por sua vez, o gesto solidário de acolher hospitaleiramente o outro, encerra dois desafios. Primeiro obriga a «dar ouvido aos outros» (já viu como mina a confiança quem anda tão centrado em si e aferrado às suas ideias, que nem sequer escuta?). E o segundo, depois de ouvir, é o desafio de reprimir a tentação de controlar, manipular e de se apropriar do mundo interior que o outro teve a coragem e a simplicidade de revelar.
  3. Pode ser difícil esse equilíbrio entre o prudente distanciamento (que evite uma proximidade asfixiante) e o distanciamento ofensivo (de sobranceira indiferença) na vida de família. Especialmente quando falta o treino. Daí surge esta sugestão: avalie as suas conversações em família! Quando falam? Quem fala e de quê? Respeitam o silêncio dos outros? Dão-se tempo para cada um pensar por si? Como incentivam o diálogo dos mais reservados? Como gerem a voz de quem prepotentemente quer impor a razão de que se considera possuidor?