Desafios da Fidelidade

Os desafios da fidelidade

  1. Definitivamente, a relação entre as pessoas não é estanque. Mudamos a cada dia, mês, ano e década que passa; mudamos todos, eu e os outros; muda o mundo que nos rodeia; e os factos que se sucedem mudam também o cenário das nossas relações. E, assim mudando, teria sentido reduzir a fidelidade à preservação de uma relação apenas por uma obstinada inércia? Alguém vê numa fidelidade assim o suporte da felicidade? Ou será o prenúncio do seu fim?
  2. Opostamente a esse imobilismo gerado pela resistência à mudança, a fidelidade é a capacidade criadora gerada pelo amor, com que nos renovamos, nos «reinventamos», de modo a continuarmos juntos nas constantes oscilações da vida. A fidelidade criadora é capaz, inclusive, de encontrar numa crise, pela via da reconciliação, uma oportunidade para fortalecer a relação.
  3. A contínua predisposição para nos renovarmos e para nos reconciliarmos todas as vezes em que seja preciso, são os dois desafios da fidelidade. Mas atenção aos equívocos sobre a reconciliação. Há quem confunda reconciliação com «fechar os olhos, tentar esquecer e deixar que o tempo resolva o que houver por resolver». Isso não é reconciliação; talvez disfarça, mas não resolve. Este tema merecerá que lhe dediquemos um próximo texto.