A verdadeira reconciliação versus a sua pobre caricatura

A verdadeira reconciliação versus a sua pobre caricatura

  1. Se o erro é humano, qual é o espanto de termos que o corrigir? Creio que nenhum, mas isso de reparar danos custa, não é? E porque custa, é fácil que procuremos soluções mais «fáceis».
  2. Soluções aparentemente mais fáceis nas relações pessoais: não falar de certos assuntos e simular normalidade; ou arranjar «explicações» que reduzam a culpa a um mero mal-entendido. E pergunto: assim fica tudo bem? Mesmo bem? E isso é… reconciliação? Alguém perdoou alguém ou foi apenas adiada a sentença? Pode não haver um conflito ostensivo, mas há paz? Está sarada a relação?
  3. Há sentimentos de vergonha, orgulho, tristeza ou revolta que compreensivelmente obstruem a reconciliação. Será preciso dar espaço e tempo; pode-se precisar de ajuda; talvez não se alcance a reparação plena, mas não vale a pena enganarmo-nos: não há reparação autêntica onde falta autenticidade: autenticidade para se assumir e declarar a própria inocência ou culpa, assim como a mágoa ou a ofensa sentidas. Como? Num próximo texto abordaremos ainda este assunto, pois é certo que a verdadeira reparação não se improvisa.