O VALOR DO PROFISSIONALISMO

O VALOR DO PROFISSIONALISMO

Podemos aceitar com naturalidade que uma organização assuma o «profissionalismo» como um valor diferenciador. Mas, ao certo e na prática o que é que significa?

Uma explicação nominal vem dada nos dicionários: «profissionalismo» é o conjunto de características que compõe um profissional». E podemos completar essa definição recorrendo a sinónimos de «profissional»: Técnico, Perito, Especialista, Experto, Conhecedor, Competente…. Mas não há qualquer diferença entre o «profissional» e o «amador» que igualmente seja perito, conhecedor e competente?

A Sociologia das profissões pode dizer-nos que o profissional se diferencia do amador porque o profissional tem, além do conhecimento, a autoridade e jurisdição exclusiva para aplicar aquele conhecimento. Todos podemos saber muito de futebol e ter jeito para treinar equipas, mas só é treinador profissional quem, além do conhecimento, tem o título exclusivo que o «certifica» (Rodrigues, 2002, p. 20 e p. 40)[1] para exercer com autonomia aquela atividade. Mas, será que o diploma profissional garante o profissionalismo de todos os profissionais? Não é costume queixarmo-nos por vezes de profissionais com pouco profissionalismo? Se ser profissional não garante o profissionalismo, a questão inicial ainda permanece: o que é que ao certo e na prática significa o valor do «profissionalismo»?

Podemos encontrar uma pista do que seja o valor do profissionalismo nos atributos a que Maria de Lurdes Rodrigues alude no livro antes citado (Rodrigues, 2002): saber, fazer, ajudar. Assim, o profissionalismo exprime a qualidade do profissional que tem conhecimento e sabe fazer uso dele ao serviço daqueles a quem serve. Mas, como já se referiu, nada impede que um «amador» seja também capaz de pôr ao serviço dos outros esse mesmo conhecimento prático. A Sociologia das profissões diferencia o profissional pelo estatuto que um diploma lhe confere, mas o que nos diz a Ética das profissões? Qual é a característica diferenciadora do profissionalismo enquanto valor humano?

A resposta pode ser a seguinte: o compromisso! A Ética exige que o profissional garanta o melhor e mais atualizado conhecimento (Santin, 2012)[2] do serviço que presta. O amador, não. O amador é dispensado dessa contínua atualização. O amador faz como sabe, faz talvez como sempre fez e ninguém lhe pode exigir mais; ao profissional não se lhe perdoa que estagne no seu processo de contínua aprendizagem.

E porque nós vivemos numa sociedade em constante e acelerado desenvolvimento, a aprendizagem contínua ao longo da vida não é uma mera possibilidade do profissional; nem é de algum modo um luxo: a formação contínua é um dever ético de que nenhum profissional se pode esquivar.

[1] Rodrigues M. (2002). Sociologia das profissões. Oeiras: Celta Editora.

[2] Santin, S. (2012) “E Ética e as Profissões – Uma reflexão filosofante”. Texto produzido para o Congresso da FIEP/2012. Disponível em http://labomidia.ufsc.br/Santin/Filosofia/6.A_ETICA_E_AS_PROFISSOES-Uma_reflexao_filosofante.pdf