Construir harmonia familiar

1º WORKSHOP «CONSTRUIR A HARMONIA FAMILIAR»

Fico muito grato pelas mensagens que recebi de alguns dos participantes neste Workshop do passado sábado 11 de maio na Biblioteca Municipal do Seixal. Alegra-me ter recebido o convite para repetir a sessão noutros locais e fiquei muito sensibilizado por ter dado alguma luz que, como disseram, ajudara a «regressar ao melhor trilho» nas «passagens com mais escuridão» da «caminhada da vida». Sendo assim, fico mais motivado para aceitar outros convites e realizar mais vezes este workhop. Obrigado a todos.

A confiança é espontânea ou cultiva-se?

A confiança é espontânea ou cultiva-se?

  1. Acredito que o habitat da felicidade é a confiança. O estado habitual de felicidade vive da confiança em sermos compreendidos, respeitados, confortados e impulsionados por quem nos rodeia, mesmo que discordem de nós. E qual é a génese da confiança? É espontânea ou cultiva-se?
  2. A confiança talvez possa surgir espontaneamente. Há pessoas naturalmente mais desconfiadas que outras, como há pessoas que inspiram logo mais confiança que outras. Seja como for, essa confiança inicial pode ser protegida e crescer com o tempo; como pode diminuir e morrer. E se não se sabe como é que se ganha a confiança, importa pelo menos saber bem como se perde.
  3. Confiar significa ter fé, acreditar no que não se vê. Seja espontaneamente ou não, quando confiamos em alguém estamos a passar um cheque em branco. Quem confia, arrisca, verdade? É natural, por isso, que a confiança venha a encontrar forças de bloqueio (receios? medos?) que deveremos combater. Será um combate amoroso, pois é o amor que nos convida a confiar, mas é um combate. E um combate que não cessa! Aliás, ao certo são três combates que tenciono descrever nos próximos textos.

Já pensaram no risco de confundir unidade com uniformidade familiar?

Já pensaram no risco de confundir unidade com uniformidade familiar?

  1. Todos valorizamos a unidade como condição de uma família feliz: unidade afetiva e efetiva, que dê segurança e conforto à relação. Mas já pensaram no risco de confundir unidade com uniformidade familiar?
  2. Na nossa sociedade livre e democrática, talvez ninguém negue o valor do pluralismo, mas na prática pode ser incómodo perceber que há em casa quem discorde de nós. Verdade? Devemos, pois, estar alerta para que a perceção dessa dissonância não seja fator de perturbação.
  3. Unidade na diversidade. Pense nas notas agudas e graves que compõem a melodia; pense nos dois ponteiros do relógio, nas duas asas da águia, nos remos do barqueiro. São imagens de como a diversidade enriquece a unidade. O oposto é a uniformidade que o tirano impõe, ainda que o silêncio dos outros (por submissão? por indiferença?) possa aparentar, falsamente, bonança e harmonia. Bem pode haver pessoas que, vivendo sob um mesmo teto, sejam tristes solitários. Que grande desafio é aprender a viver juntos! Espero explorar esta aprendizagem nos próximos textos.

Que entendes por ser feliz em família?

Que entendes por ser feliz em família?

  1. Este poder ser um motivo que perturbe a vida familiar: que entendes por ser feliz em família? Imagine que confundimos a felicidade com o gozo dos bons momentos (sempre fugazes!) de vitórias, diversão e prazer. Não será frustrante consumir a vida na insaciável busca de «coisas boas»? E como será a relação com quem nos rodeia na hora da contrariedade, perante os inevitáveis dissabores do dia-a-dia?
  2. O desafio é cultivar a felicidade plena, de serena paz interior, que gera bem-estar nos outros e resiste à dor e à tristeza dos momentos da tribulação. Mas como se alcança?
  3. Talvez pela via contemplativa, que nos permita saborear e agradecer quanto de bom e belo nos rodeia. Um exemplo ilustrativo: Porque os filhos dão trabalho e trazem preocupações, uma mãe pode passar toda a vida «ansiosa» pelo amanhã: «oxalá fosse já mais crescido…!», dirá. Mas também pode, pela contemplação, «saborear» cada momento presente: o mistério da gravidez, a ternura do bebé ao colo ou a aventura dos seus primeiros passos. E estão a ver como esta diferença afeta a felicidade da vida familiar? Aquela mãe gera ansiedade à sua volta; esta outra partilha o seu contentamento. Dá que pensar, verdade?

Vida de Família (1)

É importante para si a vida em família? Isto é para si

  1. Falemos da família. É tão bom chegar a casa e sentirmo-nos seguros e rodeados do carinho e da compreensão dos nossos, não é? Imagino que essa seja, para muitos, a família dos seus sonhos. Certo? Mas, como é na realidade? Claro… sempre haverá qualquer coisinha menos agradável, mas… está satisfeito com a sua vida em família?
  2. Sinceramente, espero que sim e dou-lhe os parabéns, porque não é fácil. Não, não é nada fácil! Certamente conhece, como eu, pessoas que sofrem (e sofrem muito!) na sua vida familiar. De qualquer modo, todos ganhamos em parar e avaliar a saúde das nossas relações.
  3. Foi nesse sentido que preparei vinte pequenos textos que resumem grandes lições que fui aprendendo em 35 anos de estudo e de experiência na orientação de dezenas e dezenas de pessoas. Não é receituário tipo «autoajuda», mas uma proposta reflexiva, de inspiração filosófica, para que cada um, assim pensando, faça as inferências práticas que bem entenda e por essa via, venha a cultivar a felicidade da sua família.

CONSULTAS DE ORIENTAÇÃO DA APRENDIZAGEM

CONSULTAS DE ORIENTAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Faz sentido recorrer a uma consulta de orientação da aprendizagem? Sim e é facilmente compreensível pela diversidade de fatores (internos do aluno e exteriores ou ambientais) que podem ajudar ou perturbar o processo de aprendizagem.

A aprendizagem depende da motivação, do modo como se aprende e das qualidades de cada um. Pode haver falta de bases, de método de estudo ou de empenho. A consulta de orientação da aprendizagem ajuda os encarregados de educação a decidir o tipo de apoio mais adequado para cada criança ou jovem.

Ah! E não interessa apenas nos casos de insucesso, pois a todos convém aumentar a sua capacidade de aprender: não se conforme com menos quem pode dar mais!

O VALOR DO PROFISSIONALISMO

O VALOR DO PROFISSIONALISMO

Podemos aceitar com naturalidade que uma organização assuma o «profissionalismo» como um valor diferenciador. Mas, ao certo e na prática o que é que significa?

Uma explicação nominal vem dada nos dicionários: «profissionalismo» é o conjunto de características que compõe um profissional». E podemos completar essa definição recorrendo a sinónimos de «profissional»: Técnico, Perito, Especialista, Experto, Conhecedor, Competente…. Mas não há qualquer diferença entre o «profissional» e o «amador» que igualmente seja perito, conhecedor e competente?

A Sociologia das profissões pode dizer-nos que o profissional se diferencia do amador porque o profissional tem, além do conhecimento, a autoridade e jurisdição exclusiva para aplicar aquele conhecimento. Todos podemos saber muito de futebol e ter jeito para treinar equipas, mas só é treinador profissional quem, além do conhecimento, tem o título exclusivo que o «certifica» (Rodrigues, 2002, p. 20 e p. 40)[1] para exercer com autonomia aquela atividade. Mas, será que o diploma profissional garante o profissionalismo de todos os profissionais? Não é costume queixarmo-nos por vezes de profissionais com pouco profissionalismo? Se ser profissional não garante o profissionalismo, a questão inicial ainda permanece: o que é que ao certo e na prática significa o valor do «profissionalismo»?

Podemos encontrar uma pista do que seja o valor do profissionalismo nos atributos a que Maria de Lurdes Rodrigues alude no livro antes citado (Rodrigues, 2002): saber, fazer, ajudar. Assim, o profissionalismo exprime a qualidade do profissional que tem conhecimento e sabe fazer uso dele ao serviço daqueles a quem serve. Mas, como já se referiu, nada impede que um «amador» seja também capaz de pôr ao serviço dos outros esse mesmo conhecimento prático. A Sociologia das profissões diferencia o profissional pelo estatuto que um diploma lhe confere, mas o que nos diz a Ética das profissões? Qual é a característica diferenciadora do profissionalismo enquanto valor humano?

A resposta pode ser a seguinte: o compromisso! A Ética exige que o profissional garanta o melhor e mais atualizado conhecimento (Santin, 2012)[2] do serviço que presta. O amador, não. O amador é dispensado dessa contínua atualização. O amador faz como sabe, faz talvez como sempre fez e ninguém lhe pode exigir mais; ao profissional não se lhe perdoa que estagne no seu processo de contínua aprendizagem.

E porque nós vivemos numa sociedade em constante e acelerado desenvolvimento, a aprendizagem contínua ao longo da vida não é uma mera possibilidade do profissional; nem é de algum modo um luxo: a formação contínua é um dever ético de que nenhum profissional se pode esquivar.

[1] Rodrigues M. (2002). Sociologia das profissões. Oeiras: Celta Editora.

[2] Santin, S. (2012) “E Ética e as Profissões – Uma reflexão filosofante”. Texto produzido para o Congresso da FIEP/2012. Disponível em http://labomidia.ufsc.br/Santin/Filosofia/6.A_ETICA_E_AS_PROFISSOES-Uma_reflexao_filosofante.pdf