Já pensaram no risco de confundir unidade com uniformidade familiar?

Já pensaram no risco de confundir unidade com uniformidade familiar?

  1. Todos valorizamos a unidade como condição de uma família feliz: unidade afetiva e efetiva, que dê segurança e conforto à relação. Mas já pensaram no risco de confundir unidade com uniformidade familiar?
  2. Na nossa sociedade livre e democrática, talvez ninguém negue o valor do pluralismo, mas na prática pode ser incómodo perceber que há em casa quem discorde de nós. Verdade? Devemos, pois, estar alerta para que a perceção dessa dissonância não seja fator de perturbação.
  3. Unidade na diversidade. Pense nas notas agudas e graves que compõem a melodia; pense nos dois ponteiros do relógio, nas duas asas da águia, nos remos do barqueiro. São imagens de como a diversidade enriquece a unidade. O oposto é a uniformidade que o tirano impõe, ainda que o silêncio dos outros (por submissão? por indiferença?) possa aparentar, falsamente, bonança e harmonia. Bem pode haver pessoas que, vivendo sob um mesmo teto, sejam tristes solitários. Que grande desafio é aprender a viver juntos! Espero explorar esta aprendizagem nos próximos textos.

Que entendes por ser feliz em família?

Que entendes por ser feliz em família?

  1. Este poder ser um motivo que perturbe a vida familiar: que entendes por ser feliz em família? Imagine que confundimos a felicidade com o gozo dos bons momentos (sempre fugazes!) de vitórias, diversão e prazer. Não será frustrante consumir a vida na insaciável busca de «coisas boas»? E como será a relação com quem nos rodeia na hora da contrariedade, perante os inevitáveis dissabores do dia-a-dia?
  2. O desafio é cultivar a felicidade plena, de serena paz interior, que gera bem-estar nos outros e resiste à dor e à tristeza dos momentos da tribulação. Mas como se alcança?
  3. Talvez pela via contemplativa, que nos permita saborear e agradecer quanto de bom e belo nos rodeia. Um exemplo ilustrativo: Porque os filhos dão trabalho e trazem preocupações, uma mãe pode passar toda a vida «ansiosa» pelo amanhã: «oxalá fosse já mais crescido…!», dirá. Mas também pode, pela contemplação, «saborear» cada momento presente: o mistério da gravidez, a ternura do bebé ao colo ou a aventura dos seus primeiros passos. E estão a ver como esta diferença afeta a felicidade da vida familiar? Aquela mãe gera ansiedade à sua volta; esta outra partilha o seu contentamento. Dá que pensar, verdade?

Vida de Família (1)

É importante para si a vida em família? Isto é para si

  1. Falemos da família. É tão bom chegar a casa e sentirmo-nos seguros e rodeados do carinho e da compreensão dos nossos, não é? Imagino que essa seja, para muitos, a família dos seus sonhos. Certo? Mas, como é na realidade? Claro… sempre haverá qualquer coisinha menos agradável, mas… está satisfeito com a sua vida em família?
  2. Sinceramente, espero que sim e dou-lhe os parabéns, porque não é fácil. Não, não é nada fácil! Certamente conhece, como eu, pessoas que sofrem (e sofrem muito!) na sua vida familiar. De qualquer modo, todos ganhamos em parar e avaliar a saúde das nossas relações.
  3. Foi nesse sentido que preparei vinte pequenos textos que resumem grandes lições que fui aprendendo em 35 anos de estudo e de experiência na orientação de dezenas e dezenas de pessoas. Não é receituário tipo «autoajuda», mas uma proposta reflexiva, de inspiração filosófica, para que cada um, assim pensando, faça as inferências práticas que bem entenda e por essa via, venha a cultivar a felicidade da sua família.